Escritas do fundo do mar

02
Mar 09
Foi uma vez uma estrela, que já era mas ainda não tinha sido, do mar. Estava no fundo de um oceano de tempestades, mas mantinha sempre a mesma tranquilidade singela de um repouso sereno, mas expectante na procura.

Certo dia, que foi certo pelo destino, decidiu mover-se de uma rocha para outra para procurar um melhor abrigo, das intempéries de vida e do pouco alimento situacional da sua posição. Esta movimentação, que pela curta distância aparentava ser segura, foi interceptada por um Tubarão de Sesimbra que vagueava nas redondezas em busca de alimento.



Aparentemente assustada, a Estrela-do-mar tentou ficar muito quietinha para que o Tubarão não a visse e seguisse o seu caminho. Só que este tubarão tinha umas lentes (com desconto igual à idade) e topou logo aquela estrelinha assustadiça. Aproximou-se de dentes afiados e… não fez absolutamente nada! Embasbacou-se, emparvalhou-se e deixou-se ficar de boca aberta.

Seria um tubarão temático? Pensou ela, desiludida por não ter sido comida. Não satisfeita com a desfeita, afinal tinha-se movimentado no seu melhor vestido Carmim Fundo, decidiu enviar flores com chupas ao Tubarão para que ele não se esquecesse da sua atitude tão pouco condizente com um macho da sua estirpe aquática.

Águas passadas sobre a recepção das mesmas (flores com chupas), o Tubarão indaga por mais movimentações da Estrela-do-mar e numa tentativa de salvar a honra tubaronense envia uma mensagem por búzio electrónico a agradecer as mesmas (flores com chupas). A partir daí várias mensagens se trocaram (por búzio e telefone de concha) em direcção a outros mares nunca dantes mergulhados.

No entanto, o Tubarão nunca mais se decidia a comer a Estrela-do-mar (o que a deixava profundamente, de profundidade, furiosa) e esta não foi de modas (até porque sempre vestiu atitudes diferentes): voltou à carga com uns deliciosos biscoitos em formato de gengibre do mar, que deixaram o Tubarão profundamente extasiado, especialmente da barriga.

Algumas trocas depois e um doce telegrama via Express-Fish, decidiram encontrar-se para partilhar um belo bife (de atum) com ovas a cavalo e molho portugália aquática. Vários encontros se seguiram até que um dia a Estrela-do-mar convida o Tubarão para conhecer a sua rocha da alta e quando finalmente o Tubarão se preparava para a comer (à Estrela) ela esfrega o seu cavalo-marinho pela paredes da garagem da rocha, numa atitude de demonstração de poder profundamente feminino, isto é, contraditório.

Deliciado com aquela demonstração, o Tubarão entusiasmou-se e começou a viajar para Sul com frequência para estar com a Estrela-do-mar na sua rocha da praia. Às vezes era ela que viajava para Norte.

Decidiram parar com as viagens e juntaram-se na mesma rocha onde ainda hoje vivem. A Estrela-do-mar atubaronou-se e o Tubarão tornou-se estrelado. Não se percebeu bem como se fundiram, mas alguma coisa aconteceu e os dois estão vivos e felizes.




Adenda Infantil - Vá lá alguém perceber o moral desta história. Crianças: não digam aos vossos pais que eles se comem porque não há nada por escrito.

Adenda Adulta – É claro que ninguém come ninguém e podem contar esta inocente história aos vossos filhos. Afinal é só amor entre espécies diferentes.

Adenda EspecialParabéns!

Adenda Temporal – Esta história foi ontem, mas a validade é eterna.

Bilhetado por Brunorix às 18:52

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