Escritas do fundo do mar

26
Set 08
Quando os olhares se cruzaram o arrepio nervoso de frio, aqueceu de vontade as rubicundas faces. O desejo cego por aquele corpo ainda vestido, transpirava humidade ardente pelo prazer do desconhecido.

O calor incontrolável de um pensamento sedento, obrigou a um abrir de pernas dentro de uma saia que se tornava cada vez mais apertada. A falta de cuecas, há muito retiradas em plena reunião, permitiu sentir uma brisa fresca naquele imenso calor interno. Num papel passado discretamente por baixo da mesa, anunciava-se esse mesmo facto. A sobrancelha levantada e o ligeiro sorriso malicioso, demonstravam com subtileza “quase” profissional um aceitar de vontades.

Afastados os opositores ao acto, numa finalmente terminada reunião, sofreram-se alguns passos ansiosos num corredor cheio de olhares inquisidores, atingindo o oásis no deserto da vontade sob a forma de uma pequenina sala onde só havia uma máquina de fotocópias.




O encontro de corpos desejantes, foi brutal, violento e ardente. As mãos procuravam tudo, num incontrolável rasgar de botões e tecidos. As partes semi-desnudadas começavam a confundir-se com as semi-vestidas. Abocanhavam-se desejos, lambiam-se vontades, mordiam-se actos, gritavam-se palavras surdas de paixão carnal numa lânguida partilha de ritmos.

Dois corpos com apenas duas pernas no chão, encontravam-se numa louca penetração assente numa máquina de fotocópias. A cada movimento voluptuoso de entrada via-se uma luz vinda do assento escaldante. As bocas cruzavam-se fervorosamente a acompanhar o ritmo libidinoso daquela dança de partilhas. As línguas fundiam-se numa só, enquanto os olhos abriam e fechavam ao sabor da curiosidade.

Cada passo ouvido no corredor, acelerava a vontade explosiva e fazia subir de tom a excitação do perigo. A eminência de uma entrada surpreendente, deleitava a procura rápida do atingir. O ritmo continuava, a luz também. O ritmo continuava… a luz também…

A conjugação de vontades excitadas, chegava ao fim num grito em uníssono abafado com as mãos, numa mistura de certeza e perplexidade. A loucura atingida a dois, era uma partilha apenas possível pela novidade e pelo perigo. Um vestir apressado e incompreensivelmente envergonhado, levou às únicas palavras trocadas:

- Chamo-me Pedro.
- Sou a Ana.

No chão jaziam dezenas de cópias de uma junção carnal a vários ritmos e intensidades. Divididas as folhas igualmente, viraram caminhos diferentes satisfeitos pela certeza de nunca mais se encontrarem.
Bilhetado por Brunorix às 10:01

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