Escritas do fundo do mar

26
Ago 09
Um escritor e a sua dor partilhavam meia dentada de um texto inteiro. Mordia o escritor, a questão, enquanto a dor mastigava no porquê. Porquê? Porque antes de engolir convém trincar.

Um sacristão e a sua religião penduravam-se em sinos de descoberta. Puxava o sacristão, soava a badalos dados a religião, e por toda a região. Levantavam-se os crentes e, entre dentes, acertavam horas de fé. Sempre de pé.

Um médico e o seu nariz ortopédico liam jornais de embaixada. Que maçada! Passavam páginas de surpresa em preta tinta de contraste branco. É verdade, esta noite estou de branco. E banco mais banco não há.

Um jornalista e a sua crista entrevistavam questões. Aldrabões. Telefonavam para gabinetes anónimos e deixavam correr a água das fontes. Compraram um acordo ortográfico e fizeram-se à estrada da notícia.

Um trabalhador e o seu fedor choravam-se em saudades de areia. Que tareia. Acabadas as ondas do descanso estenderam a toalha da responsabilidade. A bandeira verde da realidade permitia mergulhar nos problemas. Sem dilemas, é só trabalho!

Cada um faz o que pode. Bom regresso.


Bilhetado por Brunorix às 18:33

Calma...
Ainda há quem não tenha ido sequer!! ;)
Como sempre, um texto brilhante.
Si a 26 de Agosto de 2009 às 20:09

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