Escritas do fundo do mar

28
Abr 10

Longe vão os tempos em que se escrevia história na Europa com heróis portugueses de verde e branco. Heróis de garra e com garra que respiravam brio nas atitudes e na camisola. Em ano de desonra clubística, rugiu ontem pela última vez um desses heróis.

 

O cantinho do Morais ficará para sempre na memória dos relatos e da paixão de cada um. A taça, que era a das Taças, escreveu-se no mais alto lugar de um sonho que ainda hoje se lê único. Foi magriço em 66 e leão para todo o sempre.

 

 

João Pedro Morais

(1935-2010)

Bilhetado por Brunorix às 17:21

13
Mai 09
E assim voou mais um ano de crescimento a olhos, pouco, vistos ou não fosse a distância a barreira da circunstância. Mesmo assim, o orgulho é imensurável e o sorriso tranquilo que te acompanha é a prova de que tudo está bem.

Em dia de ajoelhados sacrifícios, peregrino na tua direcção a promessa latente do acompanhamento possível e a garantia do forte sentimento, esse sim, sempre presente. Faço votos de casta idade, para que o futuro nos traga mais tempo visual e mais olhares que se toquem.


Ainda ontem te vi pela primeira vez e custa-me a acreditar, hoje, que o tempo tenha passado por nós com a velocidade estonteante do amanhã. Parabéns pela dádiva de existires e um bom dia para ti, todos os dias, na certeza de que cada um seja pelo menos melhor que o anterior.

Parabéns!


P.S. – E aos pais também, pelo servicinho bem feito.

Bilhetado por Brunorix às 18:34

05
Mai 09
Lágrimas de alegria. Choro lágrimas de alegria pelo conforto sentido em tais abraços. O aquecimento global que me invadiu, fez-me sorrir na escuridão iluminada. Nem sei que dizer quando os que nos amam verdadeiramente se manifestam em ternura escrita.

O meu caminhar desconcertado e bamboleante sempre se pautou por baixos e baixos. O vosso amparo (qual farinha) deu-mo o único alto que preciso. Agora que o subi, desfraldo a bandeira da tranquilidade. De verdade.

Amo-vos muito de igual e diferente modo e sem vocês nem o sentido faria sentido. Obrigado pela constante presença.

Dizer mais, seria enodar a manta que me cobre de sentimentos. Bons momentos!


Bilhetado por Brunorix às 11:14

23
Abr 09

Estou cansado da distância imposta pela circunstância. Quero ter mais tempo para eles e não consigo. Um ano passou desde o último apontamento sobre a comemoração de hoje e desse dia para cá bastantes livros foram lidos. Perdão. Bastantes não, porque nunca bastam. Muitos. Muitos também não porque me sabem sempre a pouco. Talvez alguns. Isso mesmo. Neste ano que passou li alguns livros.

Tentei também contribuir para a descida de alguns lugares nestes rankings miseráveis em que teimamos permanecer na linha da frente. O Clube de Leitura, na sua muito modesta dimensão, é um veículo de combate a estas realidades. Se a influência de ler um livro for passada a uma pessoa que seja, o resultado é sempre positivo e a vitória é um virar de página.



Mas não chega… sinto que não chega. Aconselhar, incentivar e sugerir não são garantes de mais leitura. Penso na escuridão em que vivem os que não descobrem este prazer. Na verdade, são vítimas do desconhecido e não sabem o que estão a perder simplesmente porque nunca experimentaram. E se fosse possível formar as pessoas em prazer de leitura?! Ensinar a encarar os livros como os objectos mágicos que são.

Neste dia que é deles (dos livros) e dos seus autores, penso nestas possibilidades de partilha. Haverá alguém interessado em querer aprender o prazer da leitura? O prazer (seja ele qual for) também se aprende e como tal também se ensina.

Da minha parte, ofereço-me para ajudar a ensinar. Algum voluntário se senta neste desafio?



Bilhetado por Brunorix às 18:22

13
Abr 09
Em aproveitamento de episódios passados e da proximidade de uma passagem de nível, sem comboios mas de dança, o desafio foi lançado e logo aceite. Todas as áreas de serviço no caminho serviriam para dançar uma salsa. A título de curiosidade, entre Lisboa e Faro existem 6 áreas de serviço e por isso a última já foi no destino propriamente dito.



Com uma média de uma salsa a cada 40 km, a viagem demora o dobro, embora não se dê por isso. O tempo não era questão, apenas o bom tempo e a vontade participaram no projecto. Concretizou-se, e teve um salsa-itinerário mais ou menos assim:

1ª Área de Serviço de Alcochete – Mi tierra - Gloria Estefan
2ª Área de Serviço de Alcácer do Sal – Tus Ojos - Gloria Estefan
3ª Área de Serviço de Grândola – Salsa Salsa – Yuri Buenaventura
4ª Área de Serviço de Aljustrel – Michaela - Sonora Carruseles
5ª Área de Serviço de Almodôvar – Mi Mulata – Frankie Negron
6ª Área de Serviço de Olhão – Amor Verdadero – Afro-Cuban All Stars
7ª Parque do Teatro Municipal de Faro – ¡Sí Señor!... - Gloria Estefan

Nesta operação Páscoa registaram-se 6 áreas de serviço e 1 parque de estacionamento, 7 salsas, 260 km e 4 horas e meia. Um saldo bem mais positivo que em igual período do ano passado.



21
Mar 09

Abraços de cultura soam a poesia morta

Em dia que deviam ser todos.

Cantam-se primaveras, edificam-se palavras

Marcham-se poetas e soltam-se amarras

Aos molhos, aos montes e aos toldos.


Soam flores de pouca leitura

Em campos de obras esquecidas.

Colhem-se poetas de fachada

Plantam-se literários de gabinete

Lambem-se livros em falso minete.


... E então?!



Então...


Ergam ao sol a magia da letra

Façam da vida revolta de poeta.

Dancem abraços, gritem convulsões

Esqueçam agravos e cantem liberações.

Pois na volta do amanhã está a cultura rabeta.


E quando do imposto lerem despesa

Agarrem-se aos cornos de qualquer poesia

Militem palavras de forte presença

Apaguem esforços de frase vazia.

Se da merda já lida riscaram vinhetas

Façam da poesia a maior das punhetas.


... E depois?!



Depois...


Celebrem esta Primavera de poetas

Em país de grandes e dias esquecidos

Encham o peito de todas as letras

Abracem autores, fiquem embevecidos.

Que este dia cheire à força das minhas tretas

Em registo de flores e poesia de profetas.


Bilhetado por Brunorix às 16:05

20
Mar 09
Puxou o casaco para os ombros. Estava frio na sua alma e a pele começava a ficar arrepiada de desânimo. Deu mais uns passos em direcção a sabe-se lá onde e não conseguiu aquecer. Sentia que falhava a sua missão e toda a razão de existir não parecia fazer qualquer sentido.

Percorreu ruas perdidas sem mapa de vontade e deixou-se embalar nas lágrimas do desespero. As forças escorriam pela sua determinação abaixo, a respiração prendia em cada passagem e o pensamento desfazia-se em flocos de angústia. Sentou-se. Era o último reduto da sua condição. A última réstia de energia esvaía-se entre os dedos do destino e desaparecia nas ondas da inevitabilidade.

Encolhida no frio da desistência começou a desaparecer nos escombros da estagnação enquanto o relógio temporal se recusava a parar para dar uma ajuda. O mundo passava e ignorava aquela presença, com a indiferença de quem não quer saber. A vergonha instalara-se nas circunstâncias e não permitia sequer um olhar.




Duas ruas mais abaixo, um raio de sol espreitava à esquina da oportunidade. O dia começava a nascer e sentia fluir no seu todo a energia da esperança e a liberdade da vida. Timidamente percorreu as ruas, trocando o cinzento e o frio da noite pela luz quente da convicção. Era um raio jovem e ainda não tinha muita experiência.

De olhos cada vez mais atentos às agruras da vida, reparou num aglomerado de tristeza tolhido a um canto. Aproximou-se com a cautela da inexperiência e começou a levantar questões, a escavar problemas e a destapar amarguras. Sentiu-se crescer no que tinha que ser e tornou-se adulto na intervenção.

Debaixo de todo aquele frio de existir, estava a maior e mais encolhida angústia que alguma vez vira. Ajudado pelo dia mais velho estendeu a mão e tocou-lhe de esperança. Não houve reacção. Tocou mais uma vez e nada. Decidiu abraçar aquele desamparo com toda a força da sua juventude luminosa. Alguns aquecimentos depois, sentiu movimento.

Sorriu na confiança do objectivo e forçou-a a levantar-se da desistência. Um cheiro intenso a tristeza caiu no chão e desapareceu entre as pedras de outrora. Abraçou-a novamente, ainda com mais esperança e deixou que renascesse de júbilo. O dia ocupava já todas as ruas e as últimas tristezas escondiam-se no passado.

Aquela estrela apagada iluminava-se de novo e com o agradecimento no olhar deitou fora o casaco e deixou sorrir a alegria do vento nos seus ombros. Partiu para o destino perdido e nunca mais deixou de brilhar.




P.S. – Vai sempre haver um amanhã!

19
Mar 09
Inocentes pinceladas coloriram um serão de ternura familiar. A velocidade estonteante com que do ontem fazes amanhã, transpira na tranquilidade do olhar e foi sentida em cada esbracejar de contentamento, em cada colo acolhedor e em cada imagem apadrinhada. A distância da vida não aproxima os momentos e a fonte da nossa relação não enche caudais de mais partilha, mas quando jorra é esta maravilha…



Obrigado por teres vindo. Na galeria das boas memórias ficará para sempre este quadro sorridente de simplicidade e este brilho de estares viva de esperança. Ainda bem que vieste acompanhada, porque foi muito bom sentir um saudável respirar e admirar a palete de cores do vosso sonho lindo.

A alegria de simplesmente existir é a dádiva do amanhã. E isso, celebras em cada sorriso e em cada olhar. Obrigado por teres iluminado as passagens estreitas com cores de envoltura.

Bilhetado por Brunorix às 18:03

02
Mar 09

Umberto Eco(ou) ontem no Convento de Cristo em Tomar para nós (e para outros 60) como o faz desde 2004, numa peça que dura 3h + 6 momentos de refeição, o que dá qualquer coisa como 5 horas, mas das pequenas, porque o entusiasmo é tal que não se dá pelo tempo a passar.




A originalidade desta representação (muito característica dos Fatias de Cá) transporta o publico com os actores pelas salas do convento, com 6 passagens pelo refeitório (excelentes para retemperar forças, comer e discutir animadamente sobre o que se viu e o que se irá ver) numa adaptação fantástica, diferente, envolvente e empolgante deste emblemático romance. É verdade que nada substitui a leitura e a 7ª arte que me perdoe (e o Sean Connery também), mas estar ali ao lado dos actores (na sua maioria amadores, mas com grande brio) a viver a história em todas as salas, andar com eles, comer com eles e sentir cada momento na pele (frio incluído), dá uma imensidão muito mais vibrante da história.

Vale toda a distância percorrida, a hora a que termina a um Domingo (+/- 23h), com o posterior regresso, e o preço (que é irrisório em relação a tudo o que oferece). Permite conhecer o Convento de uma maneira diferente e em sítios onde normalmente não se tem acesso, é um excelente meio de divulgação cultural e do património e merecia uma muito maior divulgação. Uma peça que está em cena há tanto tempo e que é mais conhecida pelo boca a boca do que por qualquer outro meio.



Temos que divulgar e ter orgulho nas coisas boas (aliás, muito boas) que se fazem por cá. Uma experiência totalmente diferente não só em termos de teatro como de gastronomia. É escandaloso, eu diria quase criminoso, perder a possibilidade de viver esta aventura.

Como bónus, e para tornar tudo ainda mais excitante, podem sempre deixar a carro aberto com a chave na ignição durante 6 horas em frente ao Convento, a ver se têm sorte. Nós tivemos!



Bilhetado por Brunorix às 19:01

Foi uma vez uma estrela, que já era mas ainda não tinha sido, do mar. Estava no fundo de um oceano de tempestades, mas mantinha sempre a mesma tranquilidade singela de um repouso sereno, mas expectante na procura.

Certo dia, que foi certo pelo destino, decidiu mover-se de uma rocha para outra para procurar um melhor abrigo, das intempéries de vida e do pouco alimento situacional da sua posição. Esta movimentação, que pela curta distância aparentava ser segura, foi interceptada por um Tubarão de Sesimbra que vagueava nas redondezas em busca de alimento.



Aparentemente assustada, a Estrela-do-mar tentou ficar muito quietinha para que o Tubarão não a visse e seguisse o seu caminho. Só que este tubarão tinha umas lentes (com desconto igual à idade) e topou logo aquela estrelinha assustadiça. Aproximou-se de dentes afiados e… não fez absolutamente nada! Embasbacou-se, emparvalhou-se e deixou-se ficar de boca aberta.

Seria um tubarão temático? Pensou ela, desiludida por não ter sido comida. Não satisfeita com a desfeita, afinal tinha-se movimentado no seu melhor vestido Carmim Fundo, decidiu enviar flores com chupas ao Tubarão para que ele não se esquecesse da sua atitude tão pouco condizente com um macho da sua estirpe aquática.

Águas passadas sobre a recepção das mesmas (flores com chupas), o Tubarão indaga por mais movimentações da Estrela-do-mar e numa tentativa de salvar a honra tubaronense envia uma mensagem por búzio electrónico a agradecer as mesmas (flores com chupas). A partir daí várias mensagens se trocaram (por búzio e telefone de concha) em direcção a outros mares nunca dantes mergulhados.

No entanto, o Tubarão nunca mais se decidia a comer a Estrela-do-mar (o que a deixava profundamente, de profundidade, furiosa) e esta não foi de modas (até porque sempre vestiu atitudes diferentes): voltou à carga com uns deliciosos biscoitos em formato de gengibre do mar, que deixaram o Tubarão profundamente extasiado, especialmente da barriga.

Algumas trocas depois e um doce telegrama via Express-Fish, decidiram encontrar-se para partilhar um belo bife (de atum) com ovas a cavalo e molho portugália aquática. Vários encontros se seguiram até que um dia a Estrela-do-mar convida o Tubarão para conhecer a sua rocha da alta e quando finalmente o Tubarão se preparava para a comer (à Estrela) ela esfrega o seu cavalo-marinho pela paredes da garagem da rocha, numa atitude de demonstração de poder profundamente feminino, isto é, contraditório.

Deliciado com aquela demonstração, o Tubarão entusiasmou-se e começou a viajar para Sul com frequência para estar com a Estrela-do-mar na sua rocha da praia. Às vezes era ela que viajava para Norte.

Decidiram parar com as viagens e juntaram-se na mesma rocha onde ainda hoje vivem. A Estrela-do-mar atubaronou-se e o Tubarão tornou-se estrelado. Não se percebeu bem como se fundiram, mas alguma coisa aconteceu e os dois estão vivos e felizes.




Adenda Infantil - Vá lá alguém perceber o moral desta história. Crianças: não digam aos vossos pais que eles se comem porque não há nada por escrito.

Adenda Adulta – É claro que ninguém come ninguém e podem contar esta inocente história aos vossos filhos. Afinal é só amor entre espécies diferentes.

Adenda EspecialParabéns!

Adenda Temporal – Esta história foi ontem, mas a validade é eterna.


27
Fev 09
Primeiro foram as mãos e depois foi a frase, numa clara e sentida evidência perante o destino. No entanto, mesmo o que se espera custa, e custa muito. Todas as palavras são poucas para uma vida como esta. Se tiver que escolher uma, só pode ser: obrigado!


António Augusto Lagoa Henriques
(1923-2009)

P.S. – Às vezes o tempo é um amigo cruel e junta acontecimentos igualmente antagónicos no mesmo dia. Enquanto este Mestre mergulhava para sempre na terra celebrando o fim da sua presença física, eu deixava-me enterrar no mar a chorar o meu nascimento. A distância só me deixou escrever agora.

Bilhetado por Brunorix às 16:37

17
Fev 09
Os dias são todos iguais, excepto quando não são. Hoje é um dia igual aos outros, com o mesmo horário, com o mesmo trajecto, com o mesmo emprego, com a mesma crise, com a mesma alegria e com todos os mesmos dos outros dias. No entanto, é um dia completamente diferente dos outros todos. É diferente porque hoje não só penso em ti, como nos outros dias, mas porque escrevo só para ti para te dizer o que penso em todos os dias que não o faço.

És o meu ídolo! E aos verdadeiros ídolos devíamos dizer todos os dias a admiração que temos por eles, o quanto gostaríamos de os imitar, o quanto invejamos os seus pensamentos e ideias, o quanto os amamos e o quanto idolatramos as pegadas que deixam na vida. Mas não dizemos. Deixamos tudo guardado na gaveta de um móvel de lassidão e de certeza diária…

Mas hoje digo. Digo e repito em voz escrita nas asas do vento para que se sopre por toda o lado. Grito nas entrelinhas da alma, com a força do sentimento conquistado em batalhas de crescimento. Escrevo em tábuas de passado a mensagem do presente. Canto na alegria da celebração toda a tua existência e consistência. Danço na memória do amanhã ao homem que sempre foste.




Foram árduos os caminhos que nos trouxeram aqui e que nos fazem (agora) sorrir na tranquilidade do que sabemos. Apertamos as mãos de certeza, sem surpresa, e contentes da envolvência seguimos no mergulhar das vontades.

Para que todas as memórias naveguem na direcção do amanhã, deixo plantada esta árvore escrita para celebrar este dia tão especialmente igual a todos, mas em que fica a marca da comemoração de mais um dia especial.

Parabéns Rei Leão!
Bilhetado por Brunorix às 12:56

13
Fev 09
Este está a ser, para mim, um ano mórbido. O tema continua presente de uma maneira vincada e persistente. É uma daquelas realidades da vida que todos sabemos que existe, que está lá e que faz parte. Aprendemos a viver com a sua proximidade e com o seu bafo constante sempre a rondar o pescoço do nosso dia-a-dia.

Mas uma coisa é saber que está lá, outra coisa é chocar com essa realidade amiúde e em espaços de tempo muito próximos. Desta vez dei com a morte ainda viva. Um Mestre de vida, cuja obra estou a perpetuar numa tese que emergiu agora de novo das catacumbas da lassidão, tem a morte no olhar e no corpo.

Estive uns meses sem o ver e ontem por causa do trabalho, visitei-o. Sabia que estava doente, mas não sabia que estava morto, embora ainda vivo. Nunca tinha tido nenhum contacto com esta realidade, desta maneira e fiquei profundamente chocado. Ele que sempre teve uma postura bem engraçada perante este caminhar da vida e que se dizia há muito tempo na nona idade a acenar para todos nós…




Não o reconheci. Não lhe vi o olhar de sempre. Quase não o ouvi e partilhei por momentos a angústia do que é estar sentado, simplesmente à espera que tudo se desligue. Se o visse noutro contexto, nem saberia dizer que era ele. Curiosamente, só as mãos, que toda a vida usou na sua obra, estão iguais. Tudo o resto são sombras de um homem que já não está ali. Senti uma profunda incapacidade sobre o destino e uma forte mágoa pela realidade que nos ultrapassa com a frieza calculista de que não há nada a fazer.

Agora, mais do que nunca, sinto que tenho que fazer a homenagem devida, a uma vida que merece ser eternizada. Gostava que ele tivesse tido tempo de a consciencializar e só peço que ele me perdoe por não o ter feito antes. No entanto, o sentimento de honra é o mesmo.




Atirei uma vontade só de ida
Para quem a quisesse apanhar.
Gritei nos altos da vida,
Que a memória veio pra ficar,
Na certeza de que cada instante,
Permanecerá para sempre brilhante!

Hoje ao homem, deixo a ideia,
Amanhã ao amigo, deixo o meu intento.
Professor: esta homenagem, deixei-a
A boiar nas águas do seu contentamento.
Mesmo sabendo como ambos sabemos,
Que nem tudo será como ambos queremos!



(foram estas as palavras com que fechei o trabalho que agora retomo)

10
Fev 09
Abençoados os conhecimentos deste mundo (e do outro), que nos fazem sair do caminho e nos permitem sorrir no orgulho alheio. Sonhos escritos, são realidades impressas em tardes de partilha.

Os eventos com livros, à volta dos livros e sobre livros, não param de surgir ao virar de cada página descrita (de escrita). No passado Sábado dirigi a minha expectativa de leitor na direcção da certeza escrita e entrei na sala da confirmação publicada. Desta vez, foi uma amiga (também daqui) que lançou, mais, duas preciosidades (eu agarrei uma de cada) para juntar ao espólio que a eternizará. Um livro sobre livros e um livro sobre a árvore que há em todos nós crianças. Respectivamente: Banquete de Textos e A Tia Árvore.







P.S. - Quem quiser saber mais sobre a autora e os livros e o blog e os livros e a autora, pode e deve passar pela sua (dela) casa...


Bilhetado por Brunorix às 19:16

26
Jan 09
Passados os momentos passados, descansaram os neurónios da indignação, da dor e da partilha. A, B e C respectivamente. De regresso a lides de escrita, usam-se as bandarilhas do destino para alinhar faenas de esperança e apontam-se os próximos toureios ao futuro que vier.

Em tom de regresso, deixo um apanhado do que fui apanhando nestes dias…


O estranho caso de Benjamin Button

Qualquer cinéfilo amador (que ama) tem que ver este filme, porque tem que ver este filme. Não sei quantos Óscares vale, mas para mim valeu todos os minutos que durou. Fez-me rir, emocionou-me, alegrou-me, fez-me pensar… e isso, é o que eu mais quero dos filmes. O resto, deixo para os “especialistas”.






OBITUEMO-NOS #4

Os museus e a ciência devem-lhe toda uma fundação.


Fernando Bragança Gil
(1927-2009)

P.S. - Atrasado dois dias, mas com a mesma homenagem.



FRASEANDO #9

We’re meant to lose the people we love. How else would we know how important they are to us?


In
Benjamin Button


CLUBE DE LEITURA

Obrigado pelas sugestões, estão todas assentes, e até quinta-feira podem enviar mais. Nesse dia serão postas a votação. No entretanto, O Solista está em fase de comentário...



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