Escritas do fundo do mar

23
Out 09
Preâmbulo: Embora não obrigatório, é fundamental envolver a escrita com esta música.



Sentiu a madeira fria nas pernas. Esticou o arco com o número de voltas certas. Pôs resina. O primeiro contacto do arco com as cordas produziu o mais melodioso dos arrepios. A vibração das cordas tornava o momento excitante. O corpo do violoncelo, encostado ao seu tornava-os num complemento. Ambos nus.

Nota após nota o seu calor aumentava num tom de prazer aveludado. As pernas abertas, encaixadas à volta do instrumento deixavam sentir uma suave brisa no seu interior cada vez mais húmido. Os olhos sempre fechados ouviam em uníssono o abraço daquela música desconcertante. O arco bailava para trás e para a frente numa dança de volúpia musical, ora devagar, ora depressa, Pianíssimo

Alguns compassos depois o violoncelo beijava-lhe o seio cada vez mais rijo de tanto tocar. O arco não parava e o instrumento também não. O corpo de madeira, agora não tanto, agarrava-se ao seu tronco impecavelmente erecto na mais clássica e correcta das posições. As pernas apertavam cada vez mais o violoncelo mulher enquanto a vibração das cordas se deixava embalar num beijo de línguas compassadas.

As folhas da pauta viravam com vida própria enquanto os dedos do violoncelo deslizavam pelo interior das suas coxas na direcção de um orgasmo que se adivinhava no virar da próxima página. O arco seguia já quase sem resina numa incansável massagem de erotismo barroco. Os seus seios pediam beijos ao mesmo tempo que os dedos seguiam ao ritmo do arco. Suores quentes e frios misturavam-se em colcheias de prazer. A página virou.

A partitura exaltava o momento e pedia o último compasso Prestíssimo. O arco exausto suava na luxúria do andamento que se atingia. Beijos dedos e outras notas corriam contra o inevitável. O tempo não esticava e os corpos atingiam o auge. Soou a última nota de uma corda agora vocal: o gemido foi tão intenso que o livro de pautas se fechou. Um orgasmo em apoteose deixava manchada a cadeira da verdade. A música terminara despedindo-se numa ofegante respiração quase silenciosa.

Uma batida agitada na porta acordou o momento:

- Maria! Estás a ensaiar há duas horas, não é melhor fazeres uma pausa filha?



Bilhetado por Brunorix às 13:12

03
Jul 09
Esplanada. Sol. Calor. Em cima da mesa, uma bebida com gelo deixava escorrer gotas de sedução pelo exterior do copo. Levou-o aos lábios e bebeu de olhos fechados aquele pequeno prazer refrescante. Os corpos pouco vestidos que iam passando, aumentavam ligeiramente a temperatura já quente.

Da mesa do lado uns óculos escuros pareciam seguir os seus movimentos. Atrás dos óculos, um cabelo liso de mel e avelã ladeava um pescoço fino em tom Verão torrado. Um curto vestido branco deixava adivinhar uma escultura divina moldada a mãos de experiência. Umas pernas torneadas a ouro indicavam sem pudor a direcção do desejo. Os óculos levantaram-se e o vestido foi logo atrás. Decidiu seguir os dois.

Dirigiam-se a passos convidativos para o lobby do hotel e entraram no elevador. Esperou ansiosamente que os dígitos avançassem. Sexto andar. Chamou de novo o elevador e entrou apressado. No canto do espelho, um 7 escrito a batom vermelho confirmava as intenções.

Quando bateu, com a suavidade possível, na suite 607 verificou que a porta não estava fechada. A penumbra do interior contrastava com a frescura do ar condicionado. As cortinas corridas deixavam passar apenas a luz suficiente para que se visse no chão o vestido branco. Em cima da mesa os óculos escuros. Mais à frente, uns sapatos perdidos e logo depois uma fina lingerie em tom pérola desejo, indicavam o caminho do quarto. Seguiu as indicações e entrou. A escuridão era a mesma, mas a nudez escultural daquele bronze excitante, contrastava com o branco do lençol.



Sem perguntas despiu-se também e exibiu com vergonha toda a excitação daquele jogo. Ardia em vontade e precisava do toque daquele corpo. Aproximou os seus lábios da boca contrária e viu pela primeira vez a luz daqueles olhos. Como se isso fosse possível, sentiu o desejo a aumentar ainda mais.

Quando as peles se tocaram o arrepio foi tão grande que gemeram em conjunto. Enrolaram-se em danças de descoberta e deixaram-se conhecer por todos os poros. Entrelaçados como um só fundiram as suas vontades numa doce penetração. Sentiram o tempo a parar. Só eles se mexiam. Trocavam lideranças, imprimiam vontades, expeliam desejos. O porquê de estarem vivos parecia ter todo o significado naquele momento.

Passearam por toda a suite, experimentando lugares e posições. Gemiam, gritavam, suavam e entregavam-se com a verdadeira vontade de quem não deve explicações. Quando a altura lhes pareceu indicada, deixaram fluir toda a energia num gesto final. O espasmo de cada orgasmo, provocou ondas de prazer até às pontas dos dedos. Com a calma da vitória, deixaram que os corpos se desligassem lentamente.

Com a naturalidade dos momentos intensos deram um abraço de despedida. Perceberam pelo toque que nunca mais se voltariam a ver e só não chegaram a perceber que nem sequer falavam o mesmo idioma. As palavras não tinham sido necessárias.


Bilhetado por Brunorix às 18:59

26
Jun 09
Deserto de prazer

Já não havia nada a fazer. Chorava lágrimas secas de arrependimento por não ter escrito um conto mais cedo, mas a verdade é que não tinha dado de beber à sua criatividade erótica. Agora, a travessia era longa e o deserto da lassidão tinha que ser ultrapassado.

O andar tornava-se cada vez mais penoso. A pele parecia casca de carvalho e os últimos laivos de frescura abandonavam o seu corpo na procura da sombra que não havia. A boca estava seca do ambiente e os lábios estalavam de desespero. Tentava escrever mas não conseguia. O calor era demasiado.

A pouca roupa que lhe restava, rasgava-se da secura do momento deixando queimar de dor as partes que se iam desnudando. Sabia que não podia parar. Não parou. Seguia imaginando histórias dignas de registo, mas as ideias começavam a confundir-se e os joelhos trocavam insistentemente de posição. Os pés atropelavam-se e o equilíbrio desistiu.

Quando abriu os olhos tudo estava na mesma, mas muito pior. Arrastou-se penosamente e dirigiu-se para o que parecia ser uma piscina. Sem se perguntar o porquê, deixou-se cair na água fresca, enquanto a sua (pouca) roupa, de tão seca que estava, se desfazia na água do contentamento. Sorriu da sua nudez refrescante e nadou na liberdade encontrada.

O contentamento era tão distraidamente infantil, que nem deu por um corpo que se aproximava debaixo de água. Quando sentiu umas mãos fortes nas suas pernas, já menos queimadas, assustou-se por breves momentos. O corpo musculado que vinha atrás das mãos, merecia-lhe a luxúria de não querer perceber, mas apenas de sentir. A mistura entre realidade e ficção tornava o jogo mais excitante. As mãos subiam pelo seu corpo e já agarravam os seus seios com uma firmeza decidida, enquanto o abraço vindo detrás garantia que não havia fuga. Mas quem queria fugir?!




Voltou-se, enquanto aquele ser excitantemente apelativo procurava os seus lábios de prazer. A medo abriu a boca e deixou entrar uma língua ávida de procura. Dentro e fora de água tudo era igual. Respirar não era problema. Deixou que corpo se juntasse ao seu, numa proximidade cúmplice e volumosa. Pensou retribuir um pouco do que estava a sentir e decidiu tomar a iniciativa de lamber aquele sexo duro de vontade. Continuava a não querer perceber o que se passava e depressa abriu o seu interior para a penetração mais refrescante da sua vida. O ritmo era compassado e vigoroso criando ondas lascivas como nunca sentira. Sentiu o prazer dele dentro de si e o seu orgasmo estava eminente. Alguns ritmos molhados depois, atingia a plenitude das suas vibrações e rebentou debaixo de água num grito de loucura fresca.

As pulsações retomavam a cadência normal e os corpos separavam-se lentamente. Assim como se veio, foi-se. Nem uma palavra. Desapareceu o corpo, desapareceu a piscina, desapareceu a água, desapareceu o deserto, desapareceu o calor.

Quando acordou na praia, o sol já se tinha posto e uma brisa refrescante corria ligeira. Já não se via ninguém e apenas algumas gaivotas brincavam na areia. Aberto na sua mão, o caderno de contos marcava mais uma história. Começou a ler: Deserto de prazer

Bilhetado por Brunorix às 14:41

06
Mar 09
Abriu os olhos e o tecto era branco. Deitado em lençóis brancos, sentiu o aperto das brancas paredes a tocar o seu pijama branco. Sentia um cheiro branco a remédio e o dia ou a noite que o envolviam, eram seguramente brancos.

Não sabia se se conseguia mexer ou não, mas sentia-se leve e eternamente jovem. Voltou a fechar os olhos. Voltou a abrir. A ladear o seu leito estavam agora duas mulheres com batas brancas. Os seus olhares eram de um lascivo angelical. Destaparam-no. Despiram-no. Despiram-se.


Enquanto os dentes muito brancos de uma já rodeavam a sua glande excitada, a outra beijava-o com a dose certa de intensidade. Carinhosamente levou-lhe à boca um lindo seio de um redondo branco perfeito com um excitado mamilo em tom rosa maternal.

Mais abaixo, o outro anjo do prazer sentava-se na sua erecção surpreendida oferecendo-lhe o seu interior húmido e quente. De costas para ele e com as mãos nos seus joelhos, dançava ao ritmo lento da penetração num vaivém de brancas nádegas.

Mais acima, outros lábios vermelhos de ansiedade pousavam na sua boca deixando que a sua língua descobrisse todo o seu sabor interno. De costas viradas, os anjos dançavam. Instintivamente viraram-se uma para a outra e trocaram beijos, carícias, mais beijos, mais carícias e mamilos. Continuavam a dançar.


Como num filme, a câmara suspensa percorre o espaço revelando imagens de um homem deitado com duas mulheres sentadas em cima de si, beijando-se de excitação, e oferecendo os seus respectivos segredos molhados, em movimentos de suave luxúria. À volta uma auréola de luz branca.

A conjugação de movimentos e do ritmado prazer atingia proporções celestiais. Os anjos iam trocando de posição, apenas ele permanecia deitado. Na imensidão do tempo e das trocas, atingem o pleno dos três orgasmos numa sequência angelical de um branco estridente. O abafado prazer sorria de branca ternura.

Os dois anjos retiram-se e fecham a porta. Ele adormece de vez e para sempre.


- Podia jurar que ele estava a sorrir enquanto lhe fazíamos a cama.
- Coitado. Preso dentro de um corpo à espera que tudo se acabe, sem sentir, sem sonhar...


Bilhetado por Brunorix às 17:43

06
Fev 09
A 220 km por hora, os olhares cruzaram-se. Entenderam-se. Gostaram-se. As paragens seguintes foram em jogo de sedução. Olhar para cá, olhar para lá, esboços de sorrisos disfarçados, seguidos de sorrisos escandalosos.

Tudo parecia correr sobre carris. As vontades deslizavam no mesmo sentido e o jogo continuava. Ela abriu mais um botão da camisa e deixou antever uns voluptuosos seios, cercados por uma renda preta que insistia em espreitar. Ele agradeceu o vislumbre com um sorriso lascivo. O volume nas suas calças aumentou. Levantou-se para que ela o visse.




Uma passagem de revisor mais à frente, e ela vem na sua direcção com uma determinação sensual. O botão estava de novo apertado, mas o desejo dos seus seios não se conseguia disfarçar. Dois eróticos e excitados mamilos pareciam querer romper a camisa que os sufocava. O mundo olhava para eles, mas eles só olhavam um para o outro. Ao passar por ele, sussurrou:

- Daqui a 5 minutos no WC da esquerda. Duas pancadas, pausa, três pancadas.

Uma bola de fogo lúbrico percorreu o seu corpo em excitação antecipada. Esperou ansiosamente que passassem aqueles que foram, sem dúvida, os maiores e mais demorados 5 minutos da sua vida. Finalmente passados, dirigiu-se à porta indicada. Bateu duas vezes, esperou, bateu três vezes. A porta abriu e fechou num pasmar de olhos.

Lá dentro, os olhos reencontraram-se. Os risos reconheceram-se e os cheiros conheceram-se. As bocas juntaram-se sem palavras. As respectivas excitações ainda lá estavam. O espaço era lascivamente pequeno e o afastamento era felizmente impensável. Entre os corpos só cabia o calor da roupa a mais e as peles ansiosas de contacto, gritavam por liberdade. Concedida. Na medida do impossível, desapertou-se o que havia para desapertar.

Ela sentou-se no tampo da pequena sanita e entregou-se à descoberta do volume antes visto e imediatamente abocanhado. Um gemido contido dele, ecoou no pequeno cubículo. Sentiu a língua dela na sua intimidade oferecida e agradeceu mentalmente aquela viagem. Decidiu agradecer mais que isso e trocaram de posição.

Agora ela de pé. Num gesto quase maternal afagou a cabeça cuja boca já lambia com volúpia os seios que se confirmavam fartos. Continuou a descida exploratória e por baixo de um ventre perfumado arrancaram-se cuecas à dentada. Ela sentiu-se a escorrer por dentro, enquanto outros lábios se juntavam aos outros seus lambendo todo o seu desejo húmido.

Sem aguentar mais, ela sentou-se na explosiva erecção que aguardava impaciente o seu interior. Desta vez o gemido foi duplo. O balançar da carruagem aumentou o prazer. Lá fora ouviu-se o anunciar indiferente da estação seguinte.

- É a minha. Gemeu ele.
- A minha também. Suspirou ela.




Aceleraram o êxtase na loucura do tempo final e rebentaram em conjunto, mordendo-se de prazer mútuo. Em vez de números de telefone, trocaram orgasmos. Sensações vividas à pressa e vestiram-se no sorriso do cansaço acabado de chegar ao destino.

Lá fora, na plataforma os respectivos compromissos esperavam, por coincidência muito próximos. Beijos e abraços depois, anuncia-se em voz alta o sucesso da viagem e a necessidade de a repetir na semana seguinte.

Negócios da vida pendular!


* - Alfa Pendular, 06 de Fevereiro de 2009 (Aveiro – Lisboa).
Bilhetado por Brunorix às 19:43

30
Jan 09
Era uma garagem. Uma garagem suja e cheia de óleo, como é normal numa garagem. Sem contexto nem pudor, ela desaperta o fato-macaco dele enquanto se ajoelha. Uma enorme erecção profissional salta cá para fora enquanto uma mão de grandes unhas vermelhas, não menos profissionais, se agarra ao que estava à vista, deixando transparecer um olhar de pornografia barata. Segundos depois tudo se engolia.

Compassadas viagens de cabeça para a frente e para trás, faziam desaparecer toda aquela excitação nuns lábios de vermelho batido. Líquidos vários pingavam para o chão. Já o traje de mecânico jazia quando ela se levanta ao som da banda sonora, esfregando na subida uns voluptuosos, e vários números acima, seios de silicone.

Uma abertura de pernas treinada, mostra todo o esplendor de uma aparada vontade de receber língua gasta por estas andanças. Exaustivos minutos, lamberam toda a passagem de tempo previsto. Trocavam-se gemidos de forma mecânica e em sentimento imposto.



Dobrada sobre a bancada, pedia por sugestão que se fundissem num só. Desejo concretizado e a mesma erecção desaparecia em fundos de carne experiente. Para a frente e para trás ao ritmo escrito, para a frente e para trás ao ritmo estudado vezes sem conta.

Novos óleos surgem na garagem e muda-se a penetração. Agora mais em cima porque o sucesso é garantido. Mais fundo, mais forte, mais depressa, pede ela. Ele corresponde. Os corpos em plenitude pornográfica suam debaixo do foco de luz. Ela grita de eventual prazer em linguagem universal.

Deitados no chão lambem-se de forma ávida e invertida. Ritmos treinados de língua apressam trocas de prazer. Chupados momentos depois, ela senta o seu interior profissional cavalgando os minutos seguintes em desenfreados gritos carnais. A imagem vista de cima, revela uns seios em descomunal saltitar. É chegada a hora.

Levantam-se rapidamente enquanto ela abocanha os segundos finais, o gemido treinado dele é o sinal. Tem que se ver. O auge espalha-se pela cara dela e pela garagem. Os dois olham para nós a sorrir.

- Corta!

Dezenas de pessoas à volta começam a andar de um lado para o outro. Baixam-se braços cansados e apagam-se luzes intensas. Ele e ela limpam os restos com indiferença.

- Muito bem pessoal… amanhã filmamos a cena da banheira.




P.S.: Nem tudo o que é profissional é bom...
Bilhetado por Brunorix às 23:18

16
Jan 09
A e B estavam nervosos. Era a sua primeira festa e sentiam-se como dois adolescentes em descobertas lascivas. Estavam também excitados por isso. A toda a volta pares de pares, e alguns pares de trios, falavam e bebiam animadamente. Em comum todos tinham o mesmo olhar de desejo.

C e D aproximam-se, metem conversa, sentam-se. Alguns copos mais tarde todos riam e as carícias começam a cruzar-se. O ambiente aquecia de vontade. C e D apontam o desejo na direcção do primeiro andar. A e B seguem.

Portas passadas, portas fechadas. D ajoelha-se e sem mais perguntas abocanha A voluptuosamente, perante o olhar boquiaberto de umas calças inexplicavelmente já no chão. C desaparece por um vestido a dentro lambendo tudo na sua passagem. B reage à investida com uma admiração húmida. Surgem os primeiros gemidos de espanto.




Menos roupas mais tarde A é deitado de costas enquanto B se senta em penetração profunda e D senta o seu interior em língua de descoberta. B e D beijam-se e acariciam seios mútuos. C de fora dirige as operações.

Mudam-se os tempos, mudam-se as letras. B de gatas recebe investida estóica e fugazmente lasciva de A. No chão, mesmo por baixo deste encontro, D esfrega corpo em B. C de joelhos vai alternando erecção descomunal em boca de B e de D, em boca de D e de B, e assim alternada e abocanhadamente.

Entra o sofá na história. B e D de gatas lado a lado, oferecem os seus interiores rosa húmidos de vontade. A penetra D, C penetra B. Trocam. Penetram. Trocam. B e D dançam línguas em conjunto. Sorriem na partilha. Gritam orgasmos. Sorriem no cansaço.

Sem muito descanso, e de uma só volta, engolem, lambem e chupam dois desejos erectos de explosão. A e C soltam gemidos de prazer em bocas alternadas. Abocanham, alternam, abocanham, alternam. A e C rebentam em boca alheia. B e D olham com inundada luxúria. Todos riem.

De volta à festa A e B receiam olhares de outras letras, mas ninguém parece notar que estão mais experientes. Congratulam-se e despedem-se de C e D com votos de voltar na semana seguinte. E na seguinte. E na seguinte. Surgem E e F, G e H… até ao Z da vida.




Bilhetado por Brunorix às 18:10

31
Dez 08
O casaco assentava bem. Cinzento com as riscas necessárias, fazia da longitude a sua boa apresentação. Sentia-se novo e aquele convite para uma passagem de ano mistério remexia na sua expectativa dos últimos dias, ao mesmo tempo que o salvara de uma noite solitária. No envelope apenas uma morada e uma máscara.

À hora marcada dirigiu-se ao local indicado com a máscara prevista. Deixou o convite nos mascarados da porta e respirou fundo na entrada da ansiedade. Um ambiente amarelo-torrado de luz de velas acolhia suaves melodias de lascivo desejo, que se espalhava por várias salas. Por todo o lado mascarados vários. Uns mais vestidos que outros.


Deambulou por aqueles corredores de prazer onde corpos se engalfinhavam em várias cores e posições. Todas as formas e combinações eram possíveis, em comum só a máscara.

Suava no interior do desejo e não sabia bem o que fazer. Umas mãos autoritárias deram-lhe a resposta puxando-o para um recanto mais ardente. Outras mãos despiram-no. Outras passaram nas suas costas. Outras deixaram correr a sua imaginação, pois já não sabia quantas eram.

Do pudor só restava a máscara. A mistura de corpos passava na luz dos seus olhos e afastava-se do seu entendimento. Ardia de desejo e a ansiedade apressava a sua escolha. De todas as bocas nem uma palavra, apenas gemidos e abocanhados momentos. Estava tonto de tanto mudar, e de se levantar, e de se deitar, e de se levantar de novo. Muitos seios lhe tocavam a pele e arrepiavam-no de loucura. Penetrava aqui e ali, onde podia, onde lhe apetecia.

Um relógio humano, também mascarado, anunciava as últimas badaladas do ano velho enquanto os corpos se fundiam em comunhão de partilha. O êxtase e a loucura caminhavam muito próximo do fim. A temperatura de todas as humidades afogueava em aceleramentos cada vez mais rápidos. Na última badalada entrava o ano novo e saía o seu ultimo grito de prazer. Explodia em fogo-de-artifício.


De um salto abriu os olhos. Estava na sua casa, no seu sofá, na sua sala. Sozinho, olhou a madrugada do novo ano nos ponteiros do seu relógio de sonho. Sentou-se no desapontamento da realidade e lamentou a ficção.

Em cima da mesa apenas uma máscara.


P.S. - Homenagem a Stanley Kubrick.

Bilhetado por Brunorix às 18:17

19
Dez 08
Estava nua. Quase toda. Apenas o vermelho e branco de um gorro de natal contrastavam com a sua pele de chocolate preto. No corpo nada mais que a vontade de oferecer. Junto das outras prendas a sua nudez natalícia também o era.

Quando ele entrou na sala as luzes da árvore acenderam. Largou estupefacto os sacos que carregava e embeveceu-se a olhar aquela deusa de negra nudez, que estava na sua sala, junto da sua árvore, apenas com o seu gorro na cabeça.

Enquanto ela lhe retirava a roupa, ele ia hesitando na vontade e no desejo que lhe crescia, balbuciando cada vez mais descontroladamente que não podia… que era casado… que tinha vontade… que sempre fantasiara com isso… mas não podia… mas queria…




Um olhar de malícia experiente aproximou-se do seu tremor nervoso e num bailado de volúpia cantou as palavras certas:

- Podes sim. Eu sou a prenda que sempre quiseste.

Dito isto ajoelhou-se à sua frente. As mãos escuras sobressaíam naquele corpo branco e admirado, percorrendo todos os poros de desejo. O espanto aumentava-lhe a excitação e ainda na incerteza sentia toda a sua vontade a afluir numa erecção descomunal de delírio claro, que já desaparecia naquela boca de pele escura. A mistura das cores aumentava-lhe a temperatura do sonho.

Há muito desejava aquele encontro de peles contrastantes e quando se viu saído daquela boca experiente, ajoelhou-se também. Ainda a medo passou as suas mãos muito brancas naquele tronco de carvão escaldante que ostentava uns pequenos seios de bicos muito escuros e muito excitados. Não resistiu ao aproximar, e abocanhou-os mordiscando de prazer aquela rigidez fruitiva.

Ela deitou-se e ofereceu toda a sua abertura quente num rosa húmido, ansioso de o receber. Mais uma vez as cores. Branco, preto e rosa surgiam naquela palete de penetração. Por baixo, por cima, em todas as posições reinavam os contrastes lascivos das suas cores distantes de união. Não aguentava mais e rebentou na força das imagens.

Na sala, apenas as luzes da árvore se ouviam. Deitado sobre as costas ofegantes só teve tempo de um último vislumbre sobre aquele corpo de um negro escultural que já se afastava. Arriscou a dúvida:

- Mas quem…?
- Fui a prenda da tua mulher, Feliz Natal!
Bilhetado por Brunorix às 20:15

12
Dez 08
Era o seu sétimo conto. Sempre pensara que devia lavrar por escrito, em terra imaginária, um conjunto de fantasias que aquecessem de vontade os eventuais leitores. Por isso, continuava a alinhar letras lascivamente, a desenhar palavras numa posição voluptuosa e a cimentar frases num libido ordenado. Sentia um prazer húmido no que escrevia e sorria na invenção do desejo.

As suas personagens ardiam sempre de vontade e faziam do contacto físico a razão de viver. No entanto, sentiam amiúde uma carência nas descrições que sobre elas eram feitas. Sentiam falta de palavras lúbricas, que as descrevessem em todo o seu esplendor físico.

O número sete traria de ordem, uma diferença marcada. Decidido a colmatar a injustiça descritiva, começou pelo corpo feminino (que era o seu preferido) e entregou-se a alinhavar letras, palavras e frases:

Uma pele de fino castanho dourado, envolvia uma delicada estrutura de sustentabilidade lasciva. Uns pés de elegante recorte poético tinham a perfeição dos deuses na sua base.

Mesmo por cima, umas aveludadas pernas de beleza atlética faziam da envolvência corporal a sua dança de amor, terminando num triângulo de misterioso sabor, decorado por um topo piloso eroticamente aparado. Os seus lábios de vermelho ardente chamavam desejo a quem os provasse.

Por trás deste biombo de prazer, umas nádegas desenhadas a carvão esculpido, baseavam umas costas de cintura fina e límpida de toque, que olhavam a direcção para uns delicados ombros, que desapareciam numa dança de longos cabelos pretos.

Do outro lado da serpenteada descrição, uns voluptuosos seios de rigidez absoluta, cheiravam a medida certa ao agarrar de mãos, tendo no centro uma auréola escura de apontados mamilos.

Um pescoço de estátua grega, sustentava uma mescla de sensações faciais, onde sobressaíam uns enormes olhos de um prazer castanho e chamativo. A expressão de inocência experiente, soava a penetração dançante. A sua boca de lasciva textura guardava uma língua de doce pecado.




Parou de escrever. Assim que pousou a caneta de tinta erótica, todas as letras se misturaram e começaram a ganhar forma. Um tornado de palavras ergueu-se do caderno de contos e os parágrafos descritivos rodopiaram até moldarem o corpo que acabara de (d)escrever.

Afastou-se assustado e boquiaberto olhou para a nudez da mulher que saíra da sua imaginação e que estava à sua frente materializada das suas palavras. Não percebeu se estava a sonhar, mas ela caminhava para ele com um sorriso de criação familiar. Com um olhar de desejo suplicante, sussurrou-lhe ao ouvido:

- Tenho estado à espera desta descrição. Vim para retribuir em prazer…

Sem mais palavras, igualou de um arranque só a condição de nudez em que se encontravam e encostou o seu corpo ardente ao do estupefacto criador. A primeira sensação foi de arrepio desconhecido, mas a contactos dados tudo se transformou em cumplicidade escrita.

A excitação dele era evidente entre os dois e sem mais preliminares, ela saltou para o seu colo fazendo com que desaparecesse dentro dela, engolindo-o de um só prazer.

Enquanto ele segurava em virilidade as nádegas por si descritas, entrava furiosamente na sua criação imaginativa e sorria de satisfação por não se lembrar de um prazer assim na sua realidade. Movimentos de entrada mais tarde, rebentava num êxtase explosivo final.

Ainda suspirava do acontecimento, quando aquela beleza corporal recolhia ao caderno desfazendo-se de novo em letras e palavras. Confuso por ter participado no seu próprio conto, acabou por sorrir na dúvida, lamentando não ter descrito mais cedo uma mulher, com todas as frases que ela merece.
Bilhetado por Brunorix às 18:39

05
Dez 08
Uma névoa de incerteza abateu-se sobre o seu desejo. Não sabia como lidar com o contraste de vontades, mas os lascivos pensamentos toldavam-lhe o espírito e a razão. O que parecia bem ao exterior, não se coadunava com a vontade interna.

A sua batalha mental, criava uma apatia amorfa que não a impelia em direcção nenhuma. Deixou-se ficar. Quando os olhos correspondentes tocaram os seus, a batida aumentou. O sangue ferveu mais depressa, e o desejo dava passadas largas para o lado do preconceito, eliminando furiosamente o que sabia ser um pré-conceito.

Não era claro no seu corpo aquele sentimento novo e não se sabia desejável de olhar. Enquanto ia descobrindo esses novos caminhos, os olhos opostos levantaram-se na sua direcção. De um olhar passaram a um movimento. Mais depressa do que o entendimento conseguisse explicar, já estavam à distância de uma pestana. Os hálitos a desejo misturavam-se num cocktail de vontades, sabidas por um lado e inexploradas por outro. Cheirava a lábios quentes, que sem palavras se tocaram.

Um arrepio de concretização percorreu todo o seu corpo. Deixou-se sorrir. A vergonha de nunca ter percebido, baixou-lhe o olhar por momentos. A frase da tranquilidade, veio no sentido da salvação:

- Não tenhas medo. O teu sorriso diz tudo.

Uma mão em formato de convite, arrastou-a para uma cama sem público. Deitada de costas sobre a vontade, fechou os olhos e deixou-se levar. De novo um beijo quente juntou-se na sua boca. Desta vez, uma língua compareceu no bailado e apimentou a doce a barreira já passada. Palavras de confiança sussurradas em ouvido lambido, permitiram roupas a menos e desejos a mais. Uma boca experiente deslizou no pescoço da expectativa em direcção aos seus seios. Mordiscou-os como ninguém e fez crescer de vontade a dureza que sentia.

Enquanto viajava nas asas da luxúria, dois dedos entravam na sua húmidade, num vaivém de súplica ardente. Completamente entregue na dança de sensações, olhou aquele corpo tão diferente de igual que era e quis retribuir na imaginação da vontade. Agora, era a sua língua que deslizava na direcção de uma húmidade tão quente como a sua e que cheirava a sabedoria lasciva. Como se de uma boca se tratasse, beijou aqueles lábios numa avidez de descoberta e de uma só volta, sentou o seu interior noutra boca que a chamava. Todas as bocas se confundiam numa só e aqueles dois corpos encaixados, pareciam peças da mesma vontade. Dançavam, esfregavam, contorciam… lambiam gritos de prazer.




Mais uma volta na volúpia, e os seus seios roçavam noutros tantos numa dança erótica a quatro mamilos. O crescimento não parava e da gaveta das vontades surgiu um vibrar desconhecido. Apresentado de seguida, passou na fronteira da loucura como se sempre lá estivesse estado. Os corpos amavam-se em redondo e conheciam-se de prazer por completo. Partilhavam-se cada vez mais avanços e as ofertas orgásmicas surgiram na naturalidade das trocas.

Extasiados corpos gritaram para o lado e abraçados em descoberta de partilha, adormeceram no conforto da certeza, afastando a névoa inicial.

O sorriso da confirmação foi o último a chegar e encarregou-se de juntar os despojos da festa, deixando a casa arrumada para o dia seguinte.
Bilhetado por Brunorix às 18:46

28
Nov 08
A sua inocência de vida, tingia-lhe a face de uma rubicunda vergonha. Será que se notava o desejo no seu olhar?! Tinha medo que a maneira lasciva com que os seus olhos tentavam atravessar aquela roupa, fosse denunciante logo no primeiro cruzamento fitado.

Correspondendo às suas súplicas fantasiosas, todos se levantaram e abandonaram a sala. Ficaram só os dois. Pela primeira vez na vida do seu desejo, aquela mulher endeusada na sua paixão, levantava os olhos na sua direcção. Aos olhos juntou o resto do corpo e caminhava para ele. A sua temperatura interna disparou em alarme geral e à excitação voluptuosa que já se via, juntou-se um nervoso incontrolável a cada passo aproximado.

A fantasia parecia estar a tornar-se realidade e já conseguia cheirar o perfume inebriante daquele ser escultural que já estava à distância de uma carícia. A ninfa dos seus sonhos de muitas noites, aproximou-se e sem uma palavra ajoelhou-se à frente da cadeira onde se encontrava nervosamente sentado, e arrancou-lhe de uma só fúria carnal as calças que tapavam todo o seu desejo. Com a mestria própria de uma vida de muitas experiências, engoliu languidamente todo o seu desejo erecto. Poucas investidas de boca depois, e já ele tinha o seu primeiro orgasmo numa explosão de espanto há muito contido.

Deglutidos desejos depois, e aquela mulher de sonho erguia-se à sua frente tirando toda a roupa de uma só vez, revelando um corpo maduro e carregado de desejo. Sentou-se sobre ele e esfregou-lhe os enormes seios (como ele nunca vira) na cara, ordenando que os lambesse avidamente. Ao mesmo tempo, a mão dela descia na busca do desejo dele, fazendo com que desaparecesse no seu interior. Os dois deram graças, pela juventude daqueles 17 anos novamente erectos.

Um ritmo imposto à força do desejo, rangia numa dança assente naquela cadeira enquanto se gritavam desejos surdos de paixão. Ela suplicava por mais velocidade e ele obedecia de vontade, numa entrega subserviente de quem não sabe. Pouco tempo depois, explodiam em conjunto num abraço suado de certeza.

Vestiram-se na velocidade de um silêncio, enquanto sorriam da vitória consumada numa partilha de vontade com muita diferença de idade. Ele sorria, enquanto pensava que jamais esqueceria aquela mulher e a sua primeira vez, quando a campainha tocou num estridente acordar de realidade:

- Então Ricardo, o teste?! Não fizeste quase nada!
- Desculpe Professora, nem dei pelo tempo a passar…


Bilhetado por Brunorix às 17:04

07
Nov 08
Daquela camada pictórica, só conseguia apreciar os contornos dos corpos nus. A cor, a luz, o motivo, não lhe interessavam. Apenas os corpos. Quase como se de uma cena pornográfica se tratasse. A galeria estava quase a fechar e não conseguia desviar os olhos daqueles dois corpos femininos, que se entrelaçavam num bailado de erotismo artístico.

Sentiu um calor imenso a percorrer-lhe o corpo e uma dilatação incontrolada de todos os poros da vontade. Os seus seios rijos de prazer, pareciam querer furar a fina blusa de linho excitado, numa tentativa de romperem as barreiras da convenção. Do seu interior, escorria uma gota de prazer ansiosa de contacto. O tempo passava, a vontade não. Mais ninguém na galeria.

Sem aviso prévio, as luzes apagam-se ficando apenas um foco a incidir no quadro. A escuridão circundante aumentou o prazer do sonho e não conseguiu evitar que uma das suas mãos tocasse ao de leve o interior da blusa que cada vez mais se parecia querer desfazer. Num descontrole total do local, sentiu a outra mão desgovernada a descer pelo seu ventre em direcção a uma humidade chamativa. Aumentava o ritmo do toque e a pulsação da loucura. De pé, em frente a um quadro, entregava-se ao seu prazer despreocupado, sabendo que já não devia estar só. Esse pensamento parecia aumentar o nível de excitação.




Respondendo ao seu chamamento dançante, duas mãos fortes vindas de trás, agarraram com força os seus seios que gritavam por mais. Algumas palavras sussurradas ao ouvido, permitiram que toda a sua roupa abandonasse o seu corpo, como que por vontade própria. Não tirando os olhos do anestesiante quadro, sentiu nas costas um corpo nu que se esfregava em súplica lasciva. Segundos depois, era penetrada com volúpia numa violência pedida em gritos de prazer.

Trocados os papéis, eram agora os corpos do quadro que olhavam com inveja para aquela conjugação de casal. A fúria penetrante daquele viril membro, fazia da loucura interior o tempo esquecido. Ao compasso dos gritos roucos, sentiu os cabelos a serem puxados para trás numa cavalgada desenfreada. Estava quase, estava perto do auge e não queria que acabasse. No entanto, algumas investidas depois, explodia num orgasmo gritante pintado às cores que não via no quadro.

Ofegante do suor quente e do pensamento que ainda prazeria, sentiu aquele corpo a abandonar o seu sem uma palavra de despedida. Sorriu na satisfação do desconhecido e ajoelhou-se sobre a sua roupa que jazia inerte pelo chão.




Algumas pinceladas confusas depois, estava de novo a olhar para o quadro, já vestida e na mesma posição de admiração inicial. Ouviu uns passos atrás de si, e uma voz que não queria incomodar e que soava a muitos anos de vida, disse baixinho:

- A senhora desculpe, mas já fechámos há mais de 30 minutos. Como estava profundamente embevecida pelo quadro deixei-a ficar mais um pouco, mas agora tenho mesmo que fechar tudo.

Aquiescendo envergonhada, dirigiu-se para a saída dando uma última passagem na memória daquela imagem. Os seus olhos pararam pela primeira vez na legenda que estava na parede:

Visões nuas e inebriantes




Bilhetado por Brunorix às 18:41

24
Out 08
A música alta não permitia muitas conversas. A agradável tontura de algumas bebidas, tornava afoita a troca de olhares, permitindo alguns sorrisos atrevidos. Na verdade, eram as duas únicas pessoas da festa que não estavam acompanhadas. O jogo de sedução parecia criar uma redoma em torno dos dois, embora estivessem em cantos opostos da sala.

Várias bebidas, olhares e sorrisos mais tarde a distância encurtou para a proximidade de um cheiro. As palavras não eram necessárias naquela partilha. Todos os outros sentidos estavam em alerta máximo e a temperatura aumentava a cada minuto de sedução.

O calor das vontades tornava rosadas as faces da vergonha, que era cada vez menos, e um aquiescer de olhar foi suficiente para aceitar o convite de uma mão estendida. O desejo e a luxúria caminharam de mãos dadas na busca de um quarto vazio. Do lado de lá da primeira porta, dois corpos já nus numa dança de suor indicavam uma já ocupação.

Alguns sorrisos de cumplicidade mais à frente, encontraram uma porta entreaberta para o desejo. Na escuridão adivinhava-se uma divisão espartana, mas perfeita para os intentos lascivos que se adivinhavam. Porta trancada e duas bocas que se encontram no escuro, sem conseguir aguentar mais a distância.

O bailado de duas línguas ávidas, foi aumentando a tensão e desapertando incómodos e barreiras. Encostada à porta, sentiu de repente um ajoelhar que lhe tirava as cuecas com os dentes e lhe levantava o vestido, desnudando a pele que era beijada ao ritmo do desejo que se tornava cada vez mais incontrolável. Uma língua percorria todos os seus contornos, dando voltas de falso pudor antes de se concentrar no seu interior húmido e ardente. Ao primeiro contacto, sentiu um arrepio orgásmico que deixou a sua cabeça ainda mais à roda. Sentia vontade na retribuição.




Trocados os joelhos que estavam no chão, desapertou-lhe os botões das calças um a um deixando antever todo aquele prazer inchado. Uns boxers mais tarde e engolia com volúpia uma erecção descomunal de ansiedade há muito esperada. Abocanhar, lamber e chupar fizeram parte da dança que se seguiu em ritmos molhados.

Ansiosamente retiradas as poucas roupas que ainda sobravam, encontraram-se sobre um chão frio de tanto calor que suportava, numa ávida luta carnal de incontrolável desejo descoberto, com um tom de familiaridade sempre presente. Uma cavalgada incessante marcou o tempo seguinte, dominado pelas rédeas ardentes da paixão. Uma penetração de intensa profundidade fundia suores, sabores e cheiros. Agora de cócoras, agora de gatas, mas sempre numa oferta submissa, penetrada por doce partilha de intimidade. Aqueles corpos amavam-se no momento, confundindo sentimento e desejo com expectativa e certeza.

Vários orgasmos mais tarde, entregaram-se ao descanso merecido depois da intensa batalha de tesão sentido e abusado. A verdade escondida pela loucura lasciva, fazia sorrir de nudez dois corpos que contemplavam o tecto ainda ofegantes:

- Foi uma óptima ideia termos vindo a esta festa!
- Pois foi... anda, veste-te depressa que ainda temos que ir buscar os miúdos a casa da minha irmã!

Bilhetado por Brunorix às 20:08

26
Set 08
Quando os olhares se cruzaram o arrepio nervoso de frio, aqueceu de vontade as rubicundas faces. O desejo cego por aquele corpo ainda vestido, transpirava humidade ardente pelo prazer do desconhecido.

O calor incontrolável de um pensamento sedento, obrigou a um abrir de pernas dentro de uma saia que se tornava cada vez mais apertada. A falta de cuecas, há muito retiradas em plena reunião, permitiu sentir uma brisa fresca naquele imenso calor interno. Num papel passado discretamente por baixo da mesa, anunciava-se esse mesmo facto. A sobrancelha levantada e o ligeiro sorriso malicioso, demonstravam com subtileza “quase” profissional um aceitar de vontades.

Afastados os opositores ao acto, numa finalmente terminada reunião, sofreram-se alguns passos ansiosos num corredor cheio de olhares inquisidores, atingindo o oásis no deserto da vontade sob a forma de uma pequenina sala onde só havia uma máquina de fotocópias.




O encontro de corpos desejantes, foi brutal, violento e ardente. As mãos procuravam tudo, num incontrolável rasgar de botões e tecidos. As partes semi-desnudadas começavam a confundir-se com as semi-vestidas. Abocanhavam-se desejos, lambiam-se vontades, mordiam-se actos, gritavam-se palavras surdas de paixão carnal numa lânguida partilha de ritmos.

Dois corpos com apenas duas pernas no chão, encontravam-se numa louca penetração assente numa máquina de fotocópias. A cada movimento voluptuoso de entrada via-se uma luz vinda do assento escaldante. As bocas cruzavam-se fervorosamente a acompanhar o ritmo libidinoso daquela dança de partilhas. As línguas fundiam-se numa só, enquanto os olhos abriam e fechavam ao sabor da curiosidade.

Cada passo ouvido no corredor, acelerava a vontade explosiva e fazia subir de tom a excitação do perigo. A eminência de uma entrada surpreendente, deleitava a procura rápida do atingir. O ritmo continuava, a luz também. O ritmo continuava… a luz também…

A conjugação de vontades excitadas, chegava ao fim num grito em uníssono abafado com as mãos, numa mistura de certeza e perplexidade. A loucura atingida a dois, era uma partilha apenas possível pela novidade e pelo perigo. Um vestir apressado e incompreensivelmente envergonhado, levou às únicas palavras trocadas:

- Chamo-me Pedro.
- Sou a Ana.

No chão jaziam dezenas de cópias de uma junção carnal a vários ritmos e intensidades. Divididas as folhas igualmente, viraram caminhos diferentes satisfeitos pela certeza de nunca mais se encontrarem.
Bilhetado por Brunorix às 10:01

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