Escritas do fundo do mar

07
Mai 10

À segunda vista tudo parecia escuro de sentimentos. Na primeira – feira já nascia a semana da descoberta e da partilha. A beleza do que não se vê está no sentimento que une duas mãos desconhecidas de desejo.

 

Um abraço de confiança sabia a porto seguro com doce de pêra, da vida. Cada dentada de vontade seria apenas amizade. Na verdade, as uniões que não são, de facto, sentidas têm a palidez do sol à noite.

 

Ainda não nasceu mas já é presença do sonho diário. Chama-se tranquilidade e é filho do respirar fundo e do sono pesado.

 

As palavras não são mais que o veículo da ilusão, criada pela circunstância. Implicância? Talvez criancia (só para soar), no penhasco do destino a sentir à volta o voo circular dos pássaros da imposição. Que falta de capacidade de encaixe. Não aiche?! Aicho!

 

Parvos, são os pensamentos soltos da revolta. Assim se escrevem linhas de imensidão perdida na amálgama do sonho. Cada passo, cada imagem, são peças soltas da realidade, e esta…é a mais pura verdade!

 

Para a semana, o lamento será no muro original.

 

 

Bilhetado por Brunorix às 13:00

15
Abr 10

Se o bom filho à casa torna, o bom pai nunca de lá devia ter saído.

 

É a gestão dos tempos modernos, as 24h dos dias de hoje são mais pequenas que as 24h de os dias de ontem. Fazemos coisas a mais, dizem uns. As solicitações são maiores, dizem outros.

 

A insatisfação é inimiga do espaço vazio. Por isso, preenchemos cada nanosegundo com um minuto de vontade. Resultado: não dá para tudo. Deixamos projectos, ultrapassamos compromissos, esquecemos amigos, dormimos aos poucos, caminhamos em todas as direcções, deixamos abraços em casa… e no fim? Sorrimos de plenitude!

 

Estranhas vontades as nossas. O ritmo que impomos aos acontecimentos é mais rápido que a concretização. Drogamos as ideias para conseguir aguentar a passada. Até que nos passamos. Mas vamos… sempre a sorrir.

 

O cansaço do aço a bater no ouvido do descanso, abre buracos na parede da tranquilidade. Férias que não o são senão no papel, fazem pensar na saudade do tempo. Do tempo em que havia tempo. - Não digas isso. Há sempre tempo… pois há mas não chega!

 

Este, foi o que consegui arranjar.

 

Bilhetado por Brunorix às 09:58

24
Mar 10

Amigos, ou não,

 

A amizade perde o valor que se pensa que tem a cada passo de surpresa. Nos verdadeiros momentos é que revelamos o âmago da nossa existência. Salve-se quem puder?! Pode ser, mas avisem. Os abraços de esforço que demos ao longo do caminho esfumam-se na primeira revelação. As fotos da verdade ficam na memória. Passou à história. Passou mas são páginas de um álbum que fica na prateleira.

 

O jardim em que cresceu o nosso entendimento murchou algumas circunstâncias e carece de água da vida. A pele seca ao sol da vergonha e estalou na ocasião. Agora só com cremes de consolo e banhos de partilha. A descontracção da queda do próximo é o assobio para o ar que não esperava ouvir. Gravei a música.

 

As cores da nossa viagem perderam o brilho das paletes de outrora. Continuaremos a pintar questões e ideias. Só as telas é que não são da mesma confiança.

 

O abraço de sempre (com amizade mais clara),

M. Logrado


 

 


11
Mar 10

 

Se estás a ouvir, escuta a nossa vontade e vem cantar a mesma canção. Os acordes que sentimos são os teus e as melodias que nos palpitam são as mesmas. A vibração das emoções também seca as nossas cordas vocais.

 

Se estás a olhar, vê o nosso desejo e abraça a nossa ansiedade. Não te assustes com as mudanças porque o sentimento é genuíno e o querer tudo vence. Ansiar é o momento exacto que precede o passo no abismo. Juntos, levitaremos pelo vale.

 

Se estás a tocar, sente o tacto das nossas palavras e conjuga os nossos verbos. Somos todos peões no xadrez dos acontecimentos e o jogo do destino não é comandado por nós. As frases da nossa esperança estão escritas em todas as pedras, pretas e brancas. Se quisermos, o xeque-mate está no fim das nossas vidas.

 

Se estás a cheirar, deixa-te levar pelo olfacto da alegria e acredita na razão. Os braços dados com vontade edificam relações de futuro em andaimes de confiança. Os ventos que nos envolvem cheiram à brisa quente da tranquilidade.

 

Se estás a saborear, aproveita o doce do momento e trinca o amargo do passado. Deixa que o paladar da ternura te envolva as emoções e degusta sem rejeição os novos sabores.

 

Se estás aí… deixa que os sentidos façam sentido.

 

 

 

Bilhetado por Brunorix às 13:14

15
Fev 10

Dois laços familiares passeavam no jardim da vida quando tropeçaram na realidade. Levantaram-se, sacudiram os incómodos dos joelhos e enlaçaram ideias de caminho. Só um bocadinho.

Abanaram convicções e alicerces de certeza na esperança de um mar calmo que iria ser de certeza revolto. Compilaram sentimentos escritos em envios de papel diferente, mas convincente!

Consultaram laçada ajuda na esperança de iluminado enlaçamento. Debateram estratégias de enlace e tácticas de aproximação. Vai dar confusão? Talvez sim, talvez não.

Seja qual for o enlace… laçaram!


 


Bilhetado por Brunorix às 11:31

28
Jan 10
Misteriosos são os caminhos da incompreensão humana e da falta de coragem. Cada folha que se vira no livro da vida, tapa a anterior e não mostra a seguinte. Por conseguinte: fica por ler a viragem. Segue-se outra imagem.
 

O medo e a razão saíram para um jantar destino. Marcaram mesa no melhor restaurante da idade e escolheram do menu mais experiente. Para entrada uns medalhões de passado com doce de esperança. Seguiu-se um caldinho de compreensão. O prato principal era verdade grelhada a meio termo com pimenta de realidade e atitudes salteadas em molho determinado. Um bom tinto de casta sentida apaziguava a garganta. Fechou-se com mousse de amor e dois cafés cheios de planos. A conta ficou por conta. Quem conta?

 

No jogo das decisões venciam as emoções. Faltavam poucos minutos para acabar e já em período de descontos as contrariedades empataram. Foi tudo para prolongamento. Um momento! Agora entram os que nunca jogaram. Marcaram?! Ficou para segundo tempo. Apito final.

 

Viagens de mala vazia percorrem destinos de saudade. Viajam todos menos a verdade. Até levaram azia. Aterragens em portos de mar seguro deixam descansar voos de ilusão. Que confusão!

 

Com tanta iguaria escrita todos querem mas ninguém acredita. Envolvem-se sapiências e vontades em terrinas para todas as idades, com sabor que não inova. A salada está servida: mas alguém prova?!



Bilhetado por Brunorix às 23:23

Pessoal: vamos lá a desapertar um bocadinho os nós, sim?! Pelo menos não apertem todos ao mesmo tempo…

Bilhetado por Brunorix às 11:52

26
Jan 10
Eu gosto. São actos que nos cingem com os braços a outro ser como forma de manifestação de agrado ou alegria, normalmente com um fundamento carinhoso, e que podem ser tão variados quantas as diferenças. Tento dar alguns e receber outros mas destes nunca tentei.

Dos primeiros sou adepto e torço no estádio sempre que posso (assim tão perto não), tentando também rosnar de quando em vez perante o espectáculo, sobretudo o de género deprimente.





Os seguintes fascinam-me pelo ambiente e pela tranquilidade. Mas na verdade, nem de perto nem de longe!




P.S. – Obrigado V. pelas contribuições!
Bilhetado por Brunorix às 16:54

22
Jan 10
A diferença entre ajudar porque é preciso ajuda ou ajudar para que todos vejam que se ajudou, está no arroz. Ou então são apenas sacos da kinder com 3 desejos num só: uma bandeira, uma ajudazinha e ainda comidinha lá dentro!




E ficam sempre bem nas fotos...


Bilhetado por Brunorix às 17:14

26
Nov 09
Peidos de chefia, são funções que eu não queria.
Sugestões de obrigação, deito fora com uma mão.
Peito de rola que manda, não incha na minha banda.
Posições de cagança, não alvitram a minha esperança.
Braços de força latente, fazem-me comichão na mente.

Peidos de chefia, são vozes que eu já sabia.
Sugestões de obrigação, empobrecem-me a razão.
Peito de rola que manda, corre muito mas não anda.
Posições de cagança, irritam-me a confiança.
Braços de força latente, seguram um trono aparente.

Peidos de chefia, ainda cheiram ao que se via.
Sugestões de obrigação, brilham a ouro mas são de latão.
Peito de rola que manda, é um opróbrio de cheiro a lavanda
Posições de cagança, são trespasses de fraca lança.
Braços de força latente, dissolvem idiotas em água mais quente.



Soltos os gases da revolta, sobram as pérolas do grito surdo. A ignomínia das mentes convulsas, liberta cheiros de abjecção. A afronta infamante do poder, amontoa tijolos de estupidez em paredes de ignorância morta. O melhor é fechar a porta.

Tudo na mesma. Como apenas mudaram as moscas, vou mas é de fim-de-semana e é já!
Bilhetado por Brunorix às 16:07

25
Nov 09
- Que bom estamos de novo na época do Bolo Guei!
- Bolo Gay?! Que horror que conceito mais preconceituoso!
- Mas estamos no Natal. É a época do Bolo Guei!
- Mas desde quando é que há épocas para Bolos Gay?! Aliás, o que é isso de Bolo Gay? Agora a pastelaria também tem orientação sexual?
- Sexual?? Mas quem é que falou em sexo? Eu só falei de bolos. E nesta época o que se come é Bolo Guei!
- Pois. Mas que descriminação é essa com os bolos? O que é que tem de diferente afinal?
- Difeguente? Não é difeguente. É guedondo, tem um bugaquinho ao meio, leva fgutos secos e fgutas cgistalizadas. Se não levag fgutas cgistalizadas até se chama Bolo Gainha!
- Ah…

Bilhetado por Brunorix às 15:41

25
Set 09

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento o tempo. O tempo que foge às letras e que acumula vontades em página vazias de emoção. O tempo que fecha a torneira da inspiração deixando apenas um gotejar de esperança. O tempo que cobre as janelas da alma enquanto um raio de sol insiste em espreitar por trás da oportunidade. O tempo que não rega o jardim dos livros e que deixa secar as folhas da palavra.

Já é tempo de encontrar esse tempo.

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento a dúvida. A dúvida que me assola o lápis em cada linha. A dúvida que não me deixa mergulhar no futuro. Essa mesma dúvida que faz gritar o silêncio ausente em cada poema deixando surdos os entendidos. A dúvida que chora na apatia do momento.

Não há dúvida que a dúvida está desfeita.

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento a paixão. A paixão que faz nascer a palavra pensada, que a faz viver escrita e que a mata em suaves golpes de leitura. A paixão que entorna o copo cheio do amor por cada livro. A paixão da doce partilha caramelizada em cada sonho salgado.

A paixão pela paixão está viva.

Desviados os caminhos da escrita, procuro na base do pensamento a ideia. Finalmente arranjei tempo para que não houvesse dúvida que a paixão pela ideia estará sempre por aqui.

Bilhetado por Brunorix às 10:51

22
Jul 09

Ouvidos selectivos são filtros de indiferença. Traduzem o som da nossa voz em espaço vazio e o olhar na distância do acontecimento seguinte. O desgaste da incompetência destrói pilares de motivação. Com razão.

Produzem-se frases de opinião e espera-se o mínimo de atenção. Mas não. Nada. Vazio absoluto de interesse. Será o tom da pele? A cor do cabelo? Ou a falta de conivência com o sistema? Temos tema.

Na força dos intentos nasce a razão e recuar é como desistir. A rocha da convicção é o único porto de abrigo que não afunda na podridão de uma afinação geral. Bem ditas as vozes desafinadas da diferença. É uma luta muito dura, mas é connosco que adormecemos todos os dias e é preciso dormir tranquilamente para continuar a remar. A energia da certeza é que dá força ao viver. É preciso é querer.

Se unirmos as vozes que não têm som num uníssono grito mudo, conseguiremos chegar ao céu da indignação e deitar fora as línguas do desprezo. Unam-se as mãos!




Bilhetado por Brunorix às 17:52

09
Jul 09

Já não há Verão. Este tempo que nem tem tempo para ser tempo, revolta em mim o Julho da memória quente. Onde é que ele foi?

Está frio de madrugada e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!

As praias da vontade estão cheias de ansiedade. Compra-se sol (de)posto ANTES DE AGOSTO, vende-se este cinzento friorento.

Está frio de manhã e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!

Os casacos do nojo cobrem-nos a pele do motim; enfim, corre um tempo em que o tempo nem chega a tempo e o atraso veste-se assim: com mangas.

Está frio de tarde e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!

A sombra da vaidade irrita-nos o bronze da questão. - É verdade, tem razão, não teime. Passe cá amanhã pode ser que já queime. – Escondem-se as vergonhas do tempo, sem tempo nem tempo algum.

Está frio de noite e o sol não presta. Mas que mer** é esta?!




- Hoje o sol até queima a razão!
- … ok… desculpem a questão.


08
Jul 09
A motivação que impulsiona as acções de cada um não se mede pela razão, mas sim pelo sentimento. O tribunal das relações pessoais não deve ser acutilante nos seus julgamentos. O espaço de respiração é exíguo e escasseia a margem de manobra dentro de cada obra.

O sufoco de cada pensamento medido ao milímetro da consequência, aperta a garganta da consternação e arranha o fundo da alma. Vamos com calma…

- As dotas sapiências de suas excelências, fazem o favor de me deixar sentir?

As pressões circundantes, as constantes, reduzem o pensamento individual e acrescentam desnecessárias questões. Meras ilusões. O produto da soma é a subtracção da diferença pela indiferença, acrescentando a sentença. Será isso que cada um pensa?

– Não pensem… sintam!

A mentira do sentimento interno chega aos poros da razão em pequenos afloros de verdade, sem consequência. O arrepio do destino arrefece a realidade do presente e afasta do pensamento o momento.


Senhoras e Senhores: bem-vindos ao submundo da mente!


Bilhetado por Brunorix às 13:41

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